Peneirar os pedacinhos da lembrança
Que ainda ele me traz
Escrevo porque me divido nas palavras
E porque das palavras me multiplico
Sou múltipla de mim
Quanto mais desato a criar poesia: crio-me
Ainda sentada à beira do lago
No balanço constante das árvores à beira-sonho
Espelho d´água não reflete quem sou
As mudanças são os pedacinhos que não passaram
Pela peneira de mim: tanto frio me envolve
Que me abraço só
Minhas mãos sobre meus ombros numa inversão calorosa
Quando as mãos envolvem os ombros opostos
Giro o pescoço
Meus olhos transformam a direção do que procuram
Estou só aqui dentro de mim
Nada muda
Sou de andar descalça pelo mundo